Rogério Fernandes: a arte e o erro
quinta-feira, 20 novA Ibô pediu para o Rogério falar um pouco mais do seu trabalho, estilo e história que fizeram dessa coleção do projeto Galeria uma experiência incrível para nós duas. O Rogério entrou para a família Ibô não só pelo seu trabalho e profissionalismo, mas pelo seu carisma, pelo seu sotaque lindo, e pela sua família adorável ( bj Tetê e Benjamim!).
Conheça mais sobre o designer e seu trabalho:

Gravura . Céu Amado
“Falar da minha relação com a arte é muito difícil, pois de maneira quase embrionária estou ligado a ela. Minha família é de origem nordestina e sempre foi muito ligada a arte.
Desde criança cresci no meio de artesãos do nordeste. Lá, as pessoas fazem arte sem se dar conta que fazem, fazem apenas por que têm que fazer e pronto. Nas feiras de onde se vende de tudo, como Caruaru, Juazeiro e Petrolina, nas rendas de Fortaleza, nos crochês do Maranhão, nos cordéis de Pernambuco. Tudo muito religioso, mítico e místico.
Meu trabalho é muito inspirado também no universo das lendas brasileiras, dos índios e escravos. Isso é claro, me foi dado de presente pelos meus pais, pois desde criança, era ávido por fantasia e imaginação e já começava a desenhar os meus primeiros rabiscos sem saber muito bem pra quê. Cresci assim, cheio de referências e sem saber que as tinha.
Quando me formei designer e publicitário, parecia que tinha me afastado deste universo fantástico, mas como diz o ditado popular lá do nordeste: “O mundo dá muitas voltas e numa delas eu entro.” Entrei. Entrei com a redescoberta do meu estilo e com paixão pela xilografia nordestina. Revisitei o cordel, com muitas pitadas de realismo fantástico e religiosidade. Aprendi a deixar fluir, sem amarras, e a incorporar o “erro” ao estilo.
A partir daí meu trabalho cresceu em leveza, fantasia e lirismo – um ponto forte da minha obra, com o uso desconexo de textos e frases para compor a forma e dar mais força ao resultado final. Em relação à tecnica que utilizo, ou técnicas, não tenho compromisso com nehuma delas, somente com meu estilo. Posso utilizar caneta Bic, pincel atômico, pincel, pincel virtual, tinta, tinta virtual, não importa, desde que o resultado seja coerente com que imaginei.

Gravura . Quixote e Dulcinéia
Geralmente utilizo a serigrafia pra a reprodução do trabalho, mas posso muito bem ir para as matrizes xilográficas e atualmente ando pesquisando a reprodução em flexografia.
A questão da reprodução é quase uma obsessão para mim.
Ela é conceitual no meu trabalho. Tanto pode ganhar as paredes, quanto produtos de casa, decoração e moda. Quanto mais reproduzível para mim, melhor, bem democrático, acessível. O que eu quero é produzir, produzir e reproduzir sempre. E ser cada vez mais livre.”
Não se esqueça, hein?
Lançamento Projeto Galeria: Coleção Rosa Machado
dia 26/11, próxima quarta, às 19hrs
no Atelier do Roger que fica na rua Rio Verde, 150 Anchieta.
Tim Tim!


