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	<title>Adô &#187; Dorfles</title>
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	<description>Blog sobre design, arte, moda e mais.</description>
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		<title>O Luxo, Dorfles e Saint Laurent</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 17:54:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tati</dc:creator>
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Contardo Calligaris, psicanalista e colunista da folha de São Paulo publicou um texto bem bacana hoje intitulado O Luxo, Dorfles e Saint Laurent, que resolvi postar na íntegra aqui. Vale a leitura!
BASTA TRANSITAR por saguões de hotéis e salas de espera de aeroportos para descobrir que, pelo mundo afora, proliferam publicações suntuosas (papel glacê [...]]]></description>
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<p><strong>Contardo Calligaris</strong>, psicanalista e colunista da <a href="http://www.folha.uol.com.br/">folha de São Paulo</a> publicou um texto bem bacana hoje intitulado <strong><em>O Luxo, Dorfles e Saint Laurent</em></strong>, que resolvi postar na íntegra aqui. <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Helvetica;">Vale a leitura!</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;">BASTA TRANSITAR por saguões de hotéis e salas de espera de aeroportos para descobrir que, pelo mundo afora, proliferam publicações suntuosas (papel glacê e quadricromia), cujo tema é o luxo. Nessas revistas, as matérias, em geral, exaltam a vida prazerosa de quem consome os objetos propostos nos anúncios.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Dana Thomas, em &#8220;Deluxe &#8211; Como o Luxo Perdeu o Brilho&#8221; (Campus), conta como, em poucas décadas, fabricantes artesanais de produtos quase únicos (e por isso caríssimos) se transformaram em marcas que devem boa parte de seu faturamento a acessórios industrializados, acessíveis à classe média. Eis a proposta: você não pode gastar uma fortuna para o terno ou o vestido de uma marca de luxo, mas, por um preço compatível com seus recursos, pode comprar um perfume, um cinto, uma carteira ou uma bolsa da mesma marca.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Ora, para que você deseje esse fragmento de luxo, é necessário que a marca prometa o acesso a um outro mundo, encantado: um devaneio de prazer e poder. Como?<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Por exemplo, as marcas concentram seus comércios em ruas ou shoppings especializados (como o Cidade Jardim, que acaba de abrir em São Paulo), que são universos oníricos, separados das cidades reais nas quais vivemos e iguais entre si, de São Paulo a Milão. Ou ainda as marcas financiam revistas que são a imprensa dessa Disneylândia global: mulheres e homens bonitos, palácios, jatinhos e, ao lado desse catálogo do inalcançável, os acessíveis acessórios, que são chamados bens de entrada ou de ingresso.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Falando em ingresso, a modesta compra de um acessório vale mesmo como a aquisição de uma entrada de cinema, com a  diferença de que, neste caso, você terá na mão um pedacinho do cenário, alimentando assim sua ilusão de fazer parte da história. Conseqüência: não é raro que alguém passe as férias hospedando-se em espeluncas ou sendo enlatado pelas companhias aéreas, mas volte triunfante com um novo acessório cujo valor teria sido suficiente para que ele vivesse férias verdadeiramente prazerosas.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Em suma, a indústria do luxo se parece, hoje, com o comércio de lembrancinhas na porta dos santuários: a posse da &#8220;relíquia&#8221; produziria a santidade do peregrino. Eu cismava nesse estado de espí- rito quando, logo numa revista de luxo, &#8220;THI&#8221; (fevereiro/maio 2008), entre iates e relógios, esbarrei nu- ma entrevista concedida por Gillo Dorfles.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Dorfles, designer, pintor e professor de estética, é o autor de um grande livro, &#8220;O Devir das Artes&#8221; (Martins Fontes), que li no começo dos anos 1960 e foi minha porta de entrada na arte contemporânea. Ele tem hoje 98 anos, mas não é nada rabugento. Cito a entrevista: <em>&#8220;O design é, sem dúvida, uma das bases de nossa vida relacional. Com o declínio do artesanato, o objeto produzido industrialmente se tornou objeto de uso cotidiano. Do talher ao carro, dos sapatos aos esquis, do móvel ao computador, trata-se sempre de objetos produzidos em série. O  design leva em conta o aspecto funcional, mas sempre com um quociente estético. Houve um aumento da esteticização da vida cotidiana pelo design, (&#8230;), enquanto em épocas anteriores, o objeto de uso era uma coisa amorfa, sem caraterísticas estéticas&#8230; A população é educada artisticamente pelo design, pela arquitetura, pela moda, muito mais do que pela escultura ou pela pintura de vanguarda&#8221;</em>. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;">Para Dorfles, o cuidado com a dimensão estética do mundo melhora nossa relação com as coisas, com os outros e com nós mesmos. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;">É fácil aplicar essa consideração, por exemplo, à obra de Yves Saint Laurent, que morreu nestes dias: sua industrialização do luxo (da alta costura ao prêt-à-porter) espalhou uma nova estética feminina que certamente contribuiu a transformar o lugar das mulheres no mundo.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Outro exemplo: quando escolho um espremedor de laranjas, meu cuidado com a forma e as cores (e não apenas com a funcionalidade) humaniza minha relação com quem, a cada manhã, espreme minha laranja.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"> Concluo com Dorfles. <em>Os fragmentos de ilusão vendidos pela indústria do luxo satisfazem a incerteza narcisista de emergentes inseguros, que, não podendo comprar seu lote no &#8220;paraíso&#8221;, ostentam a bugiganga promocional do empreendimento. Mas talvez, na popularização dos apetrechos do luxo, também se expresse o desejo de um  mundo em que a elegância seria uma maneira gentil e mais humana de ser.</em> Tomara que Dorfles tenha razão.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-size: 12pt;"><a href="mailto:ccalligari@uol.com.br">ccalligari@uol.com.br</a></span></span></p>
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